Exame de sangue para detectar Alzheimer chega ao Brasil
Um novo exame de sangue para auxiliar na investigação da doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil em outubro de 2026. A tecnologia utiliza uma amostra de sangue para identificar um biomarcador associado às alterações cerebrais características da doença, oferecendo uma alternativa menos invasiva a alguns exames utilizados atualmente.
O teste com a plataforma Lumipulse, da fabricante Fujirebio, passou a ser disponibilizado na rede privada pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. A novidade representa um avanço na investigação da doença, mas é importante entender para quem o exame é indicado e o que seus resultados realmente significam.
Como funciona o exame de sangue para Alzheimer?
O teste mede a concentração da proteína p-tau217, uma forma modificada da proteína tau associada às alterações biológicas observadas na doença de Alzheimer.
Níveis elevados desse biomarcador podem indicar processos relacionados ao acúmulo de proteínas no cérebro, uma das características da doença. A coleta é feita por meio de uma amostra de sangue, sem necessidade inicial de procedimentos como a punção lombar.
O resultado pode ajudar o médico a investigar se as alterações de memória e outras dificuldades cognitivas estão relacionadas ao Alzheimer. Dependendo do caso, ainda podem ser necessários exames complementares, como análise do líquido cefalorraquidiano ou PET amiloide.
Quem pode fazer o exame?
O teste é destinado a pessoas que apresentam sinais de comprometimento cognitivo e estão passando por investigação médica para Alzheimer. A indicação depende da avaliação clínica e das características do exame utilizado. Entre os sinais que merecem atenção estão:
Dificuldade persistente para lembrar informações recentes.
Repetição frequente de perguntas ou relatos.
Dificuldade para realizar tarefas habituais.
Alterações na orientação, no raciocínio ou na capacidade de planejamento.
Esses sinais não confirmam Alzheimer e podem ter outras causas. Por isso, uma avaliação médica é importante para investigar as mudanças e determinar quais exames são necessários.
O teste não é recomendado como rastreamento de pessoas sem sintomas. Um resultado positivo, isoladamente, não significa que alguém desenvolverá demência no futuro.
O exame confirma o diagnóstico de Alzheimer?
Não. O exame de sangue é uma ferramenta complementar, e o diagnóstico continua dependendo da avaliação clínica, do histórico de saúde e de testes cognitivos. Outros exames podem ser necessários para esclarecer os resultados.
O teste pode apresentar resultados positivos, negativos ou inconclusivos. Quando o resultado não permite uma conclusão clara, o médico pode solicitar investigações adicionais.
Essa interpretação é essencial porque alterações de memória e raciocínio também podem estar relacionadas a outras condições. O exame deve ser utilizado dentro de uma investigação médica, e não como uma avaliação isolada.
Quanto custa e onde está disponível?
No lançamento, o teste da plataforma Lumipulse começou a ser oferecido pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, na rede privada, com preço estimado em R$ 3 mil.
Outros exames sanguíneos que investigam biomarcadores relacionados ao Alzheimer também estão disponíveis em laboratórios particulares brasileiros, com preços que variam conforme a metodologia e o serviço. Reportagens publicadas em setembro de 2026 apontaram valores de aproximadamente R$ 1.800 a R$ 5.000 para diferentes testes.
Até outubro de 2026, o novo exame não estava incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), e não havia previsão oficial de oferta na rede pública. A disponibilidade e os valores podem variar conforme o local e o tipo de teste.
Por que a chegada do exame é importante?
A possibilidade de identificar biomarcadores por meio de uma coleta de sangue pode facilitar a investigação do Alzheimer e reduzir, em determinadas situações, a necessidade de procedimentos mais invasivos.
O avanço também pode contribuir para uma investigação mais direcionada, ajudando os profissionais a decidir quando outros exames são necessários. Ainda assim, o acesso ao teste não elimina a importância da consulta médica, da avaliação cognitiva e do acompanhamento do paciente.
Quando procurar avaliação médica?
Esquecimentos frequentes que interferem na rotina, dificuldade crescente para realizar tarefas conhecidas ou mudanças persistentes no raciocínio merecem avaliação profissional. Esses sinais não devem ser atribuídos automaticamente ao envelhecimento. Uma consulta pode ajudar a identificar possíveis causas, avaliar a necessidade de exames e orientar os próximos passos.
A chegada do exame de sangue amplia as ferramentas disponíveis para investigar o Alzheimer, mas seu uso deve ocorrer com indicação e interpretação médica. Identificar alterações cognitivas e buscar avaliação no momento adequado são medidas importantes para compreender o quadro e planejar o cuidado.
Fontes:
EXAME — Primeiro exame de sangue para Alzheimer chega ao Brasil; veja preço e quem pode fazer: https://exame.com/ciencia/primeiro-exame-de-sangue-para-alzheimer-chega-ao-brasil-veja-preco-e-quem-pode-fazer/
Folha de S.Paulo — Exames de sangue para detectar Alzheimer estão disponíveis por até R$ 5.000; saiba quando há indicação: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/exames-de-sangue-para-alzheimer-estao-disponiveis-por-ate-r-5000-saiba-quando-ha-indicacao.shtml
Academia Brasileira de Neurologia — Recomendações para uso e interpretação de biomarcadores da doença de Alzheimer na prática clínica no Brasil: https://www.scielo.br/j/dn/a/4LkQGL67nCFxYZFb7sjrCcM/
Como cuidar de pais idosos? Preservando saúde e autonomia
Cuidar dos pais idosos pode trazer mudanças importantes para a rotina familiar. Com o passar dos anos, alguns podem precisar de mais apoio para realizar atividades diárias, organizar consultas ou seguir tratamentos. Outros continuam independentes e precisam apenas de acompanhamento em determinadas situações.
Por isso, o cuidado deve considerar as necessidades individuais, respeitando as escolhas, a história e a autonomia de cada pessoa. Mais do que oferecer ajuda, é importante construir uma rotina que promova segurança, bem-estar e qualidade de vida, sem deixar de lado a saúde de quem cuida.
Como saber de quais cuidados seus pais precisam?
O primeiro passo é observar como seus pais realizam as atividades cotidianas. Perceba se existem mudanças na mobilidade, na memória, na alimentação, no sono ou na capacidade de organizar tarefas.
Dificuldades para tomar banho, preparar refeições, caminhar, administrar medicamentos ou comparecer a consultas podem indicar a necessidade de apoio adicional.
Entretanto, envelhecer não significa necessariamente perder a independência. Converse com seus pais sobre as dificuldades que enfrentam e procure envolvê-los nas decisões. Uma avaliação com profissionais de saúde pode ajudar a identificar necessidades e definir um plano de cuidados adequado.
6 cuidados importantes com pais idosos
1. Acompanhe a saúde e as consultas médicas
Mantenha uma rotina de acompanhamento preventivo e ajude a organizar consultas, exames e vacinas quando necessário.
Uma agenda compartilhada pode facilitar o controle das datas e dos retornos. Também é útil reunir receitas, resultados de exames, informações sobre alergias e uma lista atualizada dos medicamentos utilizados.
Durante as consultas, incentive seus pais a expressar dúvidas e participar das decisões sobre o próprio tratamento.
2. Organize os medicamentos com segurança
O uso de vários medicamentos pode aumentar o risco de interações, efeitos adversos e erros de administração. Por isso, manter as informações organizadas é especialmente importante.
Algumas medidas ajudam a tornar a rotina mais segura:
Registre os nomes, as doses e os horários dos medicamentos.
Utilize lembretes ou tabelas para acompanhar as administrações.
Confira a validade e armazene os produtos conforme as orientações da bula.
Informe ao médico todos os medicamentos, vitaminas, chás e suplementos utilizados.
Não altere doses nem interrompa tratamentos sem orientação profissional.
Sistemas de organização por dia e horário, como a Raia Dose Certa, podem facilitar o acompanhamento, desde que sejam adequados aos medicamentos utilizados.
3. Adapte a casa para prevenir quedas
A segurança do ambiente doméstico ajuda a preservar a mobilidade e a independência. Pequenas adaptações podem reduzir o risco de acidentes.
Mantenha os espaços bem iluminados, retire obstáculos dos corredores, fixe ou remova tapetes soltos e evite pisos escorregadios. Barras de apoio no banheiro e corrimãos nas escadas também podem ser úteis.
Se seus pais apresentarem tonturas, desequilíbrio ou quedas recorrentes, procure avaliação profissional. Esses sinais não devem ser considerados uma consequência inevitável da idade.
4. Incentive uma alimentação equilibrada e a atividade física
Uma alimentação variada contribui para a manutenção da força muscular, da saúde óssea e do funcionamento do organismo. Observe se há perda de apetite, perda de peso involuntária, dificuldade para mastigar ou engolir.
A atividade física, quando adequada à condição de saúde, ajuda a preservar a força, o equilíbrio e a mobilidade. Caminhadas, exercícios orientados e atividades de que a pessoa goste podem fazer parte da rotina.
As necessidades variam de pessoa para pessoa. Se houver doenças crônicas, limitações físicas ou dificuldades alimentares, procure orientação de profissionais de saúde.
5. Cuide também da saúde emocional
Mudanças na rotina, perdas, isolamento social e limitações funcionais podem afetar o bem-estar emocional. Por isso, mantenha o diálogo e incentive a participação em atividades sociais, encontros familiares e hobbies.
Observe alterações persistentes no humor, no sono, no comportamento ou no interesse pelas atividades habituais. Quando necessário, procure ajuda profissional.
Também é importante evitar tratar seus pais como se não pudessem mais tomar decisões. Sempre que possível, ofereça apoio sem retirar sua autonomia.
6. Divida as responsabilidades entre familiares
Quando uma única pessoa assume todas as tarefas, a rotina pode se tornar desgastante. Sempre que possível, distribua responsabilidades entre familiares e outras pessoas de confiança.
Uma divisão clara pode incluir acompanhar consultas, organizar compras, preparar refeições, verificar medicamentos e manter contato frequente.
Se as necessidades de cuidado aumentarem, avalie a possibilidade de apoio profissional e os serviços disponíveis na rede de saúde e assistência social.
Como cuidar dos pais idosos sem descuidar de si?
O bem-estar de quem cuida também precisa fazer parte do planejamento. Cansaço constante, irritabilidade, alterações no sono e sensação de sobrecarga podem indicar que é necessário rever a rotina.
Reserve momentos para descansar, mantenha contato com sua própria rede de apoio e converse com familiares sobre a divisão das tarefas. Pedir ajuda não significa cuidar menos: pode ser essencial para manter um cuidado consistente e seguro.
Quando houver necessidade de apoio adicional, a equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) pode orientar a família sobre os serviços disponíveis. Para pessoas idosas restritas ao domicílio e que atendam aos critérios do programa, o SUS também dispõe de iniciativas de atenção domiciliar.
Cuidar é apoiar a saúde e preservar a autonomia
Cuidar dos pais idosos exige atenção às necessidades físicas, emocionais e sociais, mas não existe uma única forma de fazer isso. O apoio deve acompanhar as condições de saúde e as preferências de cada pessoa.
Organizar consultas e medicamentos, prevenir quedas, incentivar hábitos saudáveis e dividir responsabilidades são atitudes que ajudam a tornar a rotina mais segura. Com diálogo, planejamento e apoio adequado, é possível promover qualidade de vida e preservar a autonomia dos pais, respeitando também os limites de quem cuida.
Fontes:
Ministério da Saúde — Saúde da Pessoa Idosa: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-idosa
Ministério da Saúde — Uso Seguro de Medicamentos: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-idosa/uso-seguro-de-medicamentos
Ministério da Saúde — Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-idosa/caderneta-de-saude/caderneta-de-saude
Ministério da Saúde — Prevenção de Quedas: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/vigilancia-de-doencas-cronicas-nao-transmissiveis/vigilancia-de-violencias-e-acidentes/prevencao-de-quedas
Ministério da Saúde — Saúde Mental da Pessoa Idosa: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-idosa/saude-mental/saude-mental
Ministério da Saúde — Atenção Domiciliar na Atenção Primária à Saúde: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-idosa/atencao-domiciliar-na-aps
Como evitar erros no uso de medicamentos?
Os medicamentos ajudam a controlar doenças, aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida. Porém, quando utilizados incorretamente, podem provocar efeitos indesejados e comprometer o tratamento.
Esquecer uma dose, tomar um remédio no horário errado, interromper o tratamento por conta própria ou combinar substâncias sem orientação são situações que podem ser evitadas com informação, organização e acompanhamento profissional.
Quais problemas podem ocorrer com o uso de medicamentos?
Entre os problemas mais comuns estão erros de dose, esquecimento de horários, interações entre medicamentos, automedicação e armazenamento inadequado. Além disso, alguns medicamentos podem causar reações adversas mesmo quando utilizados incorretamente.
Por isso, é importante seguir as orientações de uso e comunicar sintomas inesperados ao profissional responsável.
6 cuidados para usar medicamentos com segurança
1. Respeite a prescrição médica
Siga as doses, os horários e o período de tratamento indicados. Não interrompa o uso nem altere a quantidade por conta própria. Em caso de dúvida, converse com o médico ou farmacêutico.
2. Organize os horários
Utilize alarmes, calendários ou tabelas para lembrar as doses. Se esquecer de tomar um medicamento, consulte a bula ou procure orientação profissional. Não tome uma dose dupla sem recomendação específica.
3. Evite interações medicamentosas
Medicamentos podem interagir entre si, com alimentos, bebidas e suplementos. Informe aos profissionais de saúde todos os medicamentos que já utiliza antes de iniciar um novo tratamento.
4. Consulte a bula
Confira as orientações sobre modo de uso, contraindicações, reações adversas e armazenamento. Também verifique o nome e a concentração do medicamento antes de utilizá-lo.
5. Armazene corretamente
Siga as instruções da embalagem sobre melhore local de armazenamento em relação a temperatura, umidade e exposição à luz. Mantenha os medicamentos longe do alcance de crianças e animais, preserve as embalagens originais e confira a validade.
6. Evite automedicação
Não compartilhe medicamentos nem utilize sobras de receitas antigas. A escolha do tratamento depende do histórico de saúde, das alergias e dos outros medicamentos utilizados.
Como organizar medicamentos de uso contínuo?
Manter uma rotina organizada facilita o tratamento e ajuda a evitar esquecimentos e confusões. Para isso:
- Mantenha uma lista atualizada com nomes, doses e horários.
- Registre alergias e reações anteriores.
- Leve a lista às consultas e atualize-a quando houver mudanças.
- Confira a validade e a quantidade disponível.
- Combine uma rotina clara com familiares ou cuidadores que ajudam na administração.
O que fazer se houver um problema?
Se tomar um medicamento errado, utilizar uma dose maior do que a prescrita ou suspeitar de uma reação importante, procure orientação imediatamente. Tenha em mãos a embalagem, a quantidade utilizada e o horário da ocorrência.
Não tente corrigir o erro alterando as próximas doses ou provocando vômito sem orientação. Em caso de sintomas graves, como dificuldade para respirar, desmaio ou convulsões, procure atendimento de emergência.
O uso seguro começa na rotina
Organizar os horários, conferir as doses, seguir as orientações da bula e manter contato com os profissionais de saúde são atitudes que ajudam a reduzir riscos. Em caso de dúvida, busque orientação antes de modificar o tratamento.
Fontes:
Anvisa — Campanha Erros de Medicação:
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/comunicacao/campanhas/campanha-erros-de-medicacao
Ministério da Saúde — Uso Seguro de Medicamentos:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-idosa/uso-seguro-de-medicamentos
Ministério da Saúde — Uso e Armazenamento de Medicamentos:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-idosa/uso-e-armazenamento-de-medicamentos
Anvisa — Perguntas e respostas sobre bulas:
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/bulas-e-rotulos/perguntas-e-respostas-sobre-bulas
Ministério da Saúde — Uso Racional de Medicamentos:
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/daf/uso-racional-de-medicamentos
O que é a doença de Fabry? Sintomas, causas e tratamento
A doença de Fabry é uma condição genética rara que afeta o funcionamento das células e pode comprometer diferentes órgãos, como rins, coração e sistema nervoso. Os primeiros sinais podem surgir ainda na infância, mas algumas pessoas só recebem o diagnóstico na vida adulta.
Por ser uma doença que apresenta sintomas variados, seu reconhecimento pode levar tempo. Conhecer suas manifestações é importante para favorecer o diagnóstico e o acompanhamento adequado.
O que causa a doença de Fabry?
A doença de Fabry é causada por alterações no gene GLA, responsável pela produção da enzima alfa-galactosidase A. Essa enzima ajuda o organismo a degradar determinadas substâncias gordurosas presentes nas células. Quando a enzima está ausente ou funciona de maneira insuficiente, uma substância chamada globotriaosilceramida, também conhecida como Gb3, pode se acumular nas células. Com o tempo, esse acúmulo pode prejudicar o funcionamento de diferentes tecidos e órgãos.
A condição é hereditária e está ligada ao cromossomo X. Homens e mulheres podem desenvolver a doença, mas as manifestações variam de acordo com características genéticas individuais. Mulheres também podem apresentar sintomas importantes e complicações ao longo da vida.
Quais são os sintomas da doença de Fabry?
Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Na forma clássica, algumas manifestações podem começar na infância ou adolescência. Em outras pessoas, os sinais aparecem mais tarde e podem afetar principalmente o coração ou os rins. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Dor nas mãos e nos pés: episódios de dor, formigamento ou sensação de queimação, que podem piorar com calor, febre ou atividade física;
- Redução da transpiração: dificuldade para suar, acompanhada de intolerância ao calor;
- Manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele: pequenas lesões chamadas angioqueratomas;
- Problemas gastrointestinais: dor abdominal, diarreia, náuseas ou constipação;
- Cansaço frequente: fadiga que pode interferir nas atividades diárias;
- Alterações auditivas e oculares: zumbido, perda auditiva ou alterações na córnea.
Com a progressão da doença, também podem surgir complicações renais, cardíacas e cerebrovasculares, incluindo insuficiência renal, alterações no ritmo cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC).
Nem todas as pessoas apresentam todos esses sinais. Por isso, a avaliação médica é fundamental quando existem sintomas persistentes ou uma história familiar da doença.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico envolve a avaliação dos sintomas, do histórico familiar e de exames específicos.
Nos homens, a medição da atividade da enzima alfa-galactosidase A costuma ser uma ferramenta importante. O teste genético para identificar alterações no gene GLA também é utilizado para confirmar o diagnóstico. Nas mulheres, a atividade enzimática pode estar dentro de valores próximos dos normais, mesmo na presença da doença. Por isso, a análise genética tem papel especialmente importante.
Após a confirmação, exames complementares ajudam a avaliar se existem alterações nos rins, no coração e em outros órgãos. O acompanhamento pode envolver diferentes especialidades médicas.
Existe tratamento para a doença de Fabry?
Embora a doença de Fabry seja genética e não tenha cura definitiva, existem tratamentos que podem ajudar a controlar manifestações e reduzir o risco de progressão de determinadas complicações. As opções incluem:
- Terapia de reposição enzimática: fornece uma versão da enzima que está ausente ou funciona de forma insuficiente;
- Terapia com chaperona farmacológica: pode ser indicada para pessoas com determinadas variantes genéticas que respondem ao medicamento;
- Tratamento dos sintomas e das complicações: pode envolver cuidados específicos para dor, alterações renais, problemas cardíacos e outras manifestações.
A escolha depende das características genéticas, dos sintomas, dos órgãos afetados e da avaliação médica. O acompanhamento regular é importante mesmo quando os sintomas são leves, pois algumas complicações podem surgir ou evoluir ao longo do tempo.
Por que o diagnóstico precoce é importante?
Como a doença pode afetar diferentes partes do organismo, identificar a condição precocemente permite iniciar o acompanhamento e avaliar a necessidade de tratamento antes que ocorram complicações mais graves.
O diagnóstico também pode ajudar a identificar outros familiares que tenham a mesma alteração genética. Nesses casos, o aconselhamento genético pode orientar a família sobre a hereditariedade da doença e as possibilidades de investigação.
Em resumo
A doença de Fabry é uma condição genética rara causada pela deficiência da enzima alfa-galactosidase A, que leva ao acúmulo de substâncias nas células e pode comprometer diferentes órgãos.
Dor nas mãos e nos pés, redução da transpiração, alterações na pele e sintomas gastrointestinais estão entre as manifestações possíveis. Como os sinais variam, o diagnóstico depende de avaliação clínica e exames específicos.
Embora não exista cura definitiva, há tratamentos que podem ajudar a controlar a doença e reduzir o risco de complicações. O diagnóstico e o acompanhamento especializados são fundamentais para orientar o cuidado.
Fontes:
Ministério da Saúde — Diretrizes para diagnóstico e tratamento da doença de Fabry —
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/d/pcdt-doenca-de-fabry.pdf/view
Ministério da Saúde — Dia Nacional da Conscientização sobre a Doença de Fabry —
https://bvsms.saude.gov.br/28-4-dia-nacional-da-conscientizacao-sobre-a-doenca-de-fabry/
MedlinePlus Genetics — Fabry disease —
https://www.medlineplus.gov/genetics/condition/fabry-disease/
GeneReviews — Fabry Disease —
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1292/
PubMed — Fabry disease: genetics, pathology, and treatment —
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31939530/
Câncer de mama: fatores de risco, sintomas e prevenção
O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil e no mundo (excluindo-se o câncer de pele não melanoma), embora também possa afetar homens. A doença não tem uma causa única e está relacionada a diferentes fatores, como idade, histórico familiar, alterações genéticas e hábitos de vida.
Conhecer esses fatores e saber identificar possíveis sinais de alerta pode contribuir para a prevenção e para a detecção precoce.
Quais são os fatores de risco para o câncer de mama?
A idade é um dos principais fatores de risco. O risco aumenta com o envelhecimento, especialmente a partir dos 50 anos. Outros fatores associados ao aumento do risco incluem:
- Histórico familiar de câncer de mama ou ovário;
- Alterações genéticas hereditárias, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2;
- Mamas com alta densidade;
- Primeira menstruação antes dos 12 anos;
- Menopausa após os 55 anos;
- Primeira gravidez após os 30 anos ou não ter tido filhos;
- Uso prolongado de terapia hormonal após a menopausa;
- Sobrepeso e obesidade, especialmente após a menopausa;
- Inatividade física;
- Consumo de bebidas alcoólicas;
- Exposição à radiação ionizante.
Ter um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer de mama. Da mesma forma, pessoas sem fatores conhecidos também podem ter a doença.
Quais são os sintomas do câncer de mama?
O câncer de mama pode apresentar diferentes sinais. Entre os principais estão:
- Nódulo ou caroço na mama;
- Saída espontânea de líquido por um dos mamilos;
- Mudança no formato do mamilo;
- Retração da pele ou do mamilo;
- Alterações na pele, incluindo aspecto semelhante à casca de laranja;
- Aumento progressivo do tamanho da mama;
- Ferida ou alteração na pele que não melhora;
- Pequenos nódulos na região das axilas ou do pescoço.
Essas alterações não significam necessariamente câncer, mas devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Como prevenir o câncer de mama?
Nem todos os fatores de risco podem ser modificados. Ainda assim, algumas atitudes podem ajudar a reduzir o risco da doença. O INCA (Instituto Nacional de Câncer) recomenda:
Praticar atividade física
Manter uma rotina de atividade física contribui para a saúde geral e pode ajudar a reduzir o risco de câncer de mama.
Manter o peso adequado
O excesso de peso, especialmente após a menopausa, está associado a um risco maior de desenvolver a doença. Manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física são medidas importantes.
Evitar bebidas alcoólicas
O consumo de álcool está associado ao aumento do risco de câncer de mama. Por isso, evitá-lo é uma das medidas de prevenção recomendadas.
Amamentar
A amamentação é considerada um fator de proteção contra o câncer de mama. O INCA recomenda amamentar pelo maior tempo possível, quando isso for possível.
E a mamografia?
A mamografia é um dos principais exames utilizados no rastreamento do câncer de mama em pessoas sem sinais ou sintomas.
No Brasil, o Ministério da Saúde ampliou, em 2025, a faixa etária para o rastreamento de rotina no SUS para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Para mulheres fora dessa faixa, sem sinais ou sintomas suspeitos, a realização da mamografia de rotina pode ser avaliada individualmente com um profissional de saúde, considerando possíveis benefícios e riscos.
É importante diferenciar rastreamento de investigação. Quando existem sinais ou sintomas suspeitos, a pessoa deve procurar atendimento para avaliação, independentemente da idade.
Quando procurar um profissional de saúde?
Qualquer alteração nova ou persistente nas mamas merece atenção. Nódulos, alterações na pele ou no mamilo, secreção espontânea e mudanças no formato da mama são alguns dos sinais que devem ser investigados. O diagnóstico precoce permite identificar a doença em estágios iniciais e está associado a melhores possibilidades de tratamento.
Conclusão
Cuidar da saúde das mamas envolve conhecer os fatores de risco, prestar atenção às mudanças no corpo e manter o acompanhamento de saúde adequado.
Atividade física, alimentação equilibrada, manutenção do peso adequado, evitar bebidas alcoólicas e amamentar são medidas que podem contribuir para a prevenção. Além disso, conhecer os sinais de alerta e seguir as recomendações de rastreamento ajuda na detecção precoce.
Fontes:
Ministério da Saúde — Câncer de mama — https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-mama/cancer-de-mama/
INCA — Fatores de risco — https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/fatores-de-risco
INCA — Prevenção — https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/acoes/prevencao
INCA — Sinais e sintomas — https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/mama/versao-para-profissionais-de-saude/sinais-e-sintomas
INCA — Detecção precoce — https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/acoes/deteccao-precoce
INCA — Câncer de mama: vamos falar sobre isso? — https://www.inca.gov.br/publicacoes/cartilhas/cancer-de-mama-vamos-falar-sobre-isso-9a-edicao-revista-e-atualizada